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A ostreicultura
em Cananéia
Falar no consumo da ostra, é um assunto que deixa água na boca. Você sabia quantos anos de trabalho são necessários e você já tentou estimar o tempo que se passa entre a nascença de uma semente de ostra até o momento em que possam ser servidos na mesa do consumidor. Uma dúzia de ostras frescas, a disposição do prazer e paladar de quem aprecia o mais saboroso dos frutos do mar, a ostra. Vamos tentar conhecer de perto este pequeno mundo à parte, a "agricultura do mar". É necessário descobrir os encantos deste ramo, um trabalho muito similar as demais atividades da agricultura: o florestamento, a horticultura e a vinicultura. A finalidade da ostreicultura é oferecer ao consumidor ostras criadas em cultivo, um produto que oferece uma qualidade superior e ao mesmo tempo a preço atrativo. A qualidade da ostra depende em primeiro plano dos cuidados e precauções tomados por parte do ostreicultor. Entretanto, os preços podem variar dependendo das condições climáticas. As tempestades e chuvas de verão, as épocas de frio e estiagem criam variações do meio ambiente marítimo que provocam perdas. Existem então variações de uma estação a outra e o preço do produto pode surpreender o consumidor. Mas geralmente a variação dos preços não tem outra origem a não ser o impacto das condições climáticas. O ostreicultor se dedica com cuidado constante as várias etapas do processo de cultivo:
O ciclo da ostra se inicia na semente, uma larva minúscula de 1 a 2/10e de milímetros, proveniente naturalmente da ostra matriz. No ambiente natural, uma boa parte das semnets se perderia, devido a ação dos predadores, os peixes, as estrelas do mar, os siris e caranguejos e os pássaros. O manejo do ostreicultor evita perdas numerosas de sementes. A ostreicultura da região de Cananéia conta com a fecundabilidade natural da ostra para popular os bancos de criação, conseguindo obter assim novas sementes a partir dos próprios recursos naturais. A espécie é nativa e designada como "Crassostrea rizophorea", ou mais comun, pelo Prof. Rançon, como "Crassostrea brasiliana" . A engorda, colheita e captura As pequenas larvas procuram um suporte que lhe convêm para se fixar. A coletora preparada cuidadosamente pelo ostreicultor tem várias finalidades: serve de suporte, abrigo e proteção dos predadores naturais. Existem várias formas e meios de coletores. Eles são posicionados com apoio de balsas próprias (veja a foto) e colocados ao longo dos bancos de engorda e expostos as correntezas da maré. Cada passo deste processo tem época apropriada. A temperatura da água, a salinidade, a oxigenação, os ventos, as chuvas fazem avançar ou recuar o ciclo de vida da ostra. O cuidado diário, as condições ambientais favoráveis, a pureza das águas, são os fatores de que dependerá o sucesso do empreendimento. Depois de fixar as larvas posicionadas em coletores, às ostras alcançam um tamanho de 2 a 4 centímetros num prazo de seis à oito meses. Isto quer dizer que neste período já cresceram 200 vezes o tamanho inicial de nascença. Durante o crescimento das ostras há necessidade de ocupação de novos espaços. As larvas estão sendo depreendidas dos coletores e ocorre uma troca manual para ocupar espaços mais amplos em outros coletores. É onde se dá a engorda até o prazo de 18 a 20 meses de vida. A engorda ocorre em coletores tipo bandeja, colocados sobre mesas, protegendo as ostras e expondo as altos e baixos da maré. As correntes dos canais são águas ricas em plâncton, a fonte de alimento natural da ostra. A salinidade do mar, a natureza do fundo dos manguezais, as variedades dos plânctons que fornecem o sabor particular da ostra que a diferencia em cada região. As ostras criadas nas águas mistas e puras do Lagamar de Cananéia tem um sabor suave e levemente doce, que as destaca uma posição favorável para uso na gastronomia. A comparação se dá com o produto da osteicultura proveniente dos estados do Sul do Brasil, onde a criação ocorre em mar aberto de elevada salinidade, uma condição ambiental que lhes confere um gosto mais acentuado e salgado (espécie Crassostreia Gigas). Aprecie e confira as diferenças. A biologia da ostra A casca da ostra é formada por uma espécie de calcita e argonita cristalizado em forma de carbonato de cálcio. Quando a ostra sente perigo, é capaz de travar a casca por meio de um potente músculo de fechamento.
O corpo da ostra é coberto fora a fora com uma fina manta protetora. No interior encontram-se: brânquias, boca, estómago, fígado, coração, rins (dois), intestino, ânus, pálpebras, músculo e dobradiça. O coração que faz circular o sangue incolor é facilmente visível posicionado logo acima do músculo de fechamento. No verão durante o período de reprodução é possível perceber um aspecto visivelmente leitoso em todo interior da ostra. As ostras trocam de sexo, alternativamente são masculinos e depois femininos e lhe confere a característica de "hermafroditismo" sucessivo. A troca se dá após emissão do produto genital, a emissão do sêmen masculino e dispersão do sêmen pelo ambiente marinho. Na fêmea é o momento da ovulação, também denominado de "ponte". A ostra fêmea guarda suas ovas no interior das câmaras de respiração. As ovas são fecundadas pelo sêmen proveniente das correntezas d´água de qual a ostra aspira as fontes de alimentação. Num prazo de 8 a 10 dias, as larvas são expelidas. Elas mantém uma vida flutuante no ambiente marinho até procurar um suporte para fixação permanente. A natureza da ostra é capaz de compensar as perdas naturais, gerando a partir de uma única matriz um número elevado de larvas, algo entre 500.000 a 1.500.000 de larvas. Antes de obter o rótulo de qualidade, a fazenda do ostreicultor passa pela inspeção do ministro da agricultura (SIF). O empreendimento é sujeito ao controle sanitário sistemático, uma inspeção que abrange a qualidade das águas, uma avaliação dos impactos do meio ambiente, os processos de cultivo, a preparação, o tratamento e o transporte do produto. É uma garantia que confere segurança e tranqüilidade ao consumidor. Você ainda arrisca em consumir ostras nativas e catadas sem conhecer sua procedência? Compare e confira a qualidade do produto e verifique a inscrição do SIF no rótulo da embalagem. Assim você terá certeza que está consumindo um produto de qualidade, produzida de forma ambientalmente correta e acima de tudo muito saudável. No caso da região do Lagamar, estas condições recebem atenção e cuidados especais por parte da pesquisa científica do Instituto de Oceonografia da Universidade de São Paulo e Secretárias Ambientais do Estado, fornecendo apoio ao desenvolvimento sustentável da região e aprimorando a qualidade da ostreicultura regional. . .
. "Ostra" Ostra, molusco marinho bivalve. Muitas das mais de 50 espécies que existem atualmente são comestíveis. As ostras produtoras de pérolas pertencem a outra família. Vivem aderidas às rochas ou se enterram no fundo do mar. Embora a maioria não possa se locomover, são carregadas pelas ondas. A valva esquerda, sobre a qual está a ostra, é mais fina e côncava que a sua homóloga direita. Classificação científica: formam a família Ostreidae, ordem Mytiloida. As ostras produtoras de pérolas são da família Pteriidae. "Principais grupos de moluscos" Os moluscos são um grupo bem diversificado de invertebrados marinhos, dulcícolas e terrestres. Possuem formas variadas como os caracóis, quítons, lapas, amêijoas, mexilhões, ostras, lulas, lesmas, nudibrânquios, e outras formas abissais muito modificadas. Todos possuem um caráter anatômico em comum: a presença de uma concha ou carapaça em alguma fase do ciclo vital. A maioria possui concha na fase adulta, exceto o polvo, a lula e as formas abissais. Além disso, apresentam uma estrutura chamada glândula da concha, que aparece em um curto espaço de tempo durante o desenvolvimento embrionário. "Sambaquis" Sambaquis, termo que designa antigos depósitos de conchas e cascos de ostras, junto à costa ou em rios e lagoas do litoral, em que por vezes se encontram ossos humanos, objetos de pedra e cerâmica. Estudando os sambaquis, os arqueólogos procuram reconstituir a vida diária e os hábitos da pré-história. Desde os tempos coloniais, os sítios brasileiros de sambaquis foram aproveitados para a fabricação de cal, sendo raros atualmente. Em virtude do interesse arqueológico que os cerca, sua exploração comercial está proibida. Existe, desde 1963, o Museu de Sambaquis, em Joinville, Santa Catarina. |